Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras: uma competição que amplia os horizontes

Maria de Fátima Froeschlin e Ozimar Pereira

Em 1990, professores da Academia  de Strasburg, órgão do Ministério da Educação da França, na região da Alsácia, próximo à fronteira da Alemanha decidiram criar uma competição diferente não apenas para estimular o aprendizado da Matemática como para aproximar os jovens daqueles dois países que viveram em guerra por mais um de século.

Como a competição já envolvia jovens de dois países, nasceu internacional. E em pouco tempo seu formato atraente envolveu estudantes da Itália, Suíça e outros países. Atualmente mais de 250 mil estudantes de 15 países e 10 idiomas diferentes participam. Assim nasceu a Olimpíada Internacional Matemática sem Fronteiras.

É uma competição diferente das outras, pois ela é realizada por todos os integrantes da sala de aula, e não individualmente como acontece normalmente nas outras competições. Nela os alunos se unem de maneira em que um auxilia o outro na sua lógica matemática para resolver os problemas propostos na prova em questão. Todos os alunos são importantes no processo, não apenas aqueles considerados “talentosos” ou interessados.

Nesse espírito de estímulo ao convívio internacional, um outro diferencial dessa prova é a inclusão de uma questão em língua estrangeira. Dependendo do país existem até mais que 4 opções para a escolha dos alunos. No Brasil, as opções são Inglês, Espanhol, Francês e Alemão. O idioma escolhido por eles deverá ser utilizado na apresentação da solução. A resposta será desconsiderada se for respondida em Português mesmo que correta! É exigido dos alunos não apenas a resposta, mas também os cálculos matemáticos que os levaram a resposta.

Para que tudo isso aconteça, a participação dos professores de Língua Estrangeira e de Matemática é primordial. Esses profissionais, além de ensinarem, estimulam os alunos para mais esse desafio. Os professores sabem a importância que é participar de uma competição internacional, não apenas para aquele momento dos seus alunos, mas para o desenvolvimento lógico-matemático e do idioma.

Desde as primeiras situações-problemas que os alunos tem que resolver em sala de aula o professor de Matemática com toda sua habilidade deve demonstrar aos alunos passos que devem ser utilizados para resolvê-los. Dessa maneira os alunos encaram a nova situação de maneira desafiadora, mas ao mesmo tempo colocando em prática as habilidades de selecionar dados relevantes para a sua resolução.

Adquirindo a habilidade de como elaborar os passos de análise do texto, o professor será um mediador entre os alunos, para a resolução dos próximos problemas mais complexos a serem resolvidos.

Os problemas são elaborados por uma comissão de professores que os preparam durante um ano, buscando temas e formas interessantes para despertar a atenção dos estudantes na competição.

Podem participar desde estudantes do Ensino Fundamental até do final do Ensino Técnico e cada escola tem total liberdade para se organizar para participar. Pode participar com as classes completas, pode participar nas séries que julgam mais conveniente, assim como pode formar classes mistas no contraturno. O importante é que a Olimpíada seja um momento de prazer e de desafio e não uma obrigação.

Através dessa parceria, entre professores e alunos, se adquire um ambiente em que todos ganham, os professores com a satisfação do seu ensinamento, e o aluno com a autoconfiança. Dessa maneira promovendo o gosto pelos desafios não apenas desse tipo de competição, mas os desafios que a sociedade impõe.  Atraindo cada vez mais os alunos a participarem, revelando talentos e estimulando os professores.

No final, não são os estudantes mais brilhantes e interessados os vitoriosos, mas toda a classe participante! Mais que certificados e medalhas de um evento internacional de prestígio, a principal premiação é a experiência e a satisfação de explorarem o conhecimento Matemático de uma maneira única, contribuindo para sua formação pessoal e profissional.

Outra característica que a Olimpíada tem no Brasil, é que as classes vencedoras podem participar de outras competições internacionais! As principais são: a Quanta – International Competition on Mathematics, Science, Electronics and Mental Ability e a IYMC – International Young Mathematicians’ Convention – ambas de formato colaborativo e realizadas na Índia todos os anos. Desde 2011 quando o Brasil começou a participar da OIMSF, inúmeros professores – de escolas públicas e privadas de diferentes regiões do país – têm tido a oportunidade de acompanhar seus estudantes, levando o nome de sua escola e o seu próprio  para o conhecimento mundial, compartilhando experiências profissionais e culturais com outros professores de todas as partes do mundo.

A Olimpíada Internacional Matemática sem Fronteiras rompe as fronteiras expandindo a experiência de estudantes, professores e gestores através de uma nova maneira de se pensar as competições de conhecimento!

Maria de Fátima Froeschlin é licenciada em Matemática pela Universidade Metodista de São Paulo, pós-graduando em Educação Matemática pela Universidade Mackenzie, pesquisadora do papel das competições no Ensino da Matemática e colaboradora da Olimpíada Internacional Matemática sem Fronteiras no Brasil

Ozimar Pereira é licenciado em Física e Mestre em Ensino de Ciëncias pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo, coordenador-geral da Olimpíada Internacional Matemática sem Fronteiras no Brasil e diretor acadêmico da Rede POC – Rede do Programa de Olimpíadas do Conhecimento

FONTE: ASSCOM – REDE POC

Gabriel Menegazzi Conceição                                                                                     Graduando em Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria   Representante internacional e editor do blog da Rede POC                                   Email: menegazzi@mail.ufsm.br

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