Jovens brasileiros vivem oportunidade de aprendizado cultural e científico em feira do Equador

Entre os dias 24 e 29 de abril de 2019, 16 brasileiros estiveram no Equador para participar da XV edição do Encontro Intercolegial e Latino-Americano de Projetos Produtivos, Ciência, Tecnologia e Inovação. A delegação foi formada por estudantes e professores de quatro escolas e chefiada por Vinicius Ramos e Rodrigo Cortines, integrantes da Rede POC responsável pela seleção dos projetos brasileiros. As escolas são CEFET-MG, Belo Horizonte-MG; Escola de Referência em Ensino Médio João Bezerra, Recife-PE; Escola Estadual Domingos Justino Ribeiro, Mateus Leme-MG; e Fundação de Ensino de Contagem (FUNEC), Contagem-MG.

A chegada das equipes se deu com tranquilidade. Ainda adaptando-se à altitude do Equador, alguns participantes optaram por descansar enquanto outros aproveitaram o tempo livre para visitar a Plaza de la Independencia. Localizada no centro de Quito, onde está o Palácio de Carondelet e a Catedral Metropolitana de Quito, dentre outros locais belos de se ver e interessantes de se visitar.

Já às 04h da manhã, pegamos nosso ônibus para Ambato, cidade sede do evento, e fomos muito bem recebidos pelo Dr. Vargas, coordenador principal do evento. Em meio a ensaios para apresentação cultural e um café da manhã com o estimado chocolate equatoriano, a delegação brasileira aprofundou sua integração e começou a se sentir mais “em casa” para que no dia seguinte pudesse apresentar seus projetos da melhor forma possível.

Como alguns poderiam pensar, a língua espanhola não era dominada pela maioria dos participantes. Porém, como quem chegou até aqui, não era isso que derrotaria a delegação brasileira. Ao longo dos dias foi possível perceber a evolução da equipe na comunicação com os nativos e com as outras delegações aproveitando das similaridades entre as línguas portuguesa e espanhola e utilizando-se de línguas suporte, como o inglês, gestos e muita boa vontade.

A montagem dos estandes começou às 15h. Sem muitas complicações, as quatro equipes brasileiras montaram seus estandes para apresentar às delegações de nove países da América Latina – a saber: Brasil, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Panamá, Peru e Porto Rico – e muitos estudantes locais o resultado de suas pesquisas científicas e projetos.

A alimentação, como de praxe no evento, foi em um restaurante próximo à universidade sede da feira e contou com comidas e sucos típicos que agradaram muito os paladares dos participantes, apesar de não ser tão semelhante à gastronomia brasileira.

O dia 26 começou cedo para as quatro escolas brasileiras representadas na feira, muitos levantando-se antes das 6h da manhã para iniciar a preparação para o grande dia. A abertura oficial do evento ocorreu às 8:30 da manhã com pronunciamentos do reitor da universidade, dentre outras figuras importantes. Em seguida, uma palestra – ou “ponencia” como ouvimos muito no idioma local – sobre Inteligência Artificial ensinou aos ouvintes sobre esse tópico cada vez mais relevante no século XXI. Então, começaram as apresentações dos projetos nos mais de 30 estandes localizados na Universidade Técnica de Ambato (UTA).

Os projetos brasileiros foram: “Edulcorante natural”, “O reuso da casca de Sururu de forma sustentável na Brasília Teimosa”, “Desenvolvimento de um software de gestão de bibliotecas para FUNEC” e “avaliação do crescimento microbiano e de raízes de cebola em contato com Petivea Alliacea”. Todos produzidos pelas equipes compostas por Lavínia Moreira e Marcelle Santana, orientadas pela professora Maria Aparecida Miranda de Paula; Lucas Vinícius, Sérgio Leandro, Paulo César, Fábio Arruda, Gabriela Beatriz, orientados pela professora Risoneide Nunes e pelo professor Jerônimo Costa, dos quais nem todos puderam estar presentes por falta de verba; Pedro Henrique Vasconcelos e Gabriel Keven de Souza, orientados pelo professor Paulo Henrique Rodrigues; e Maria Luna Senra Silvera, Laura Cristina Simões e Fernanda Luisa Gomes, orientadas pela professora Rosiane Leite; respectivamente. Eles foram bem recebidos pelo público equatoriano e internacional.

“Foram incríveis todos esses dias. Conheci pessoas novas, conheci novas culturas e, além disso, compartilhei conhecimento. Foi uma oportunidade incrível.”

– Lucas Vinícius

“Estar aqui é a retribuição de todo nosso esforço”

– Pedro Henrique Vasconcelos

“Transformem seus sonhos em objetivos e lutem por eles”

– Maria Luna Senra

Sempre muito requisitados, os estandes brasileiros passaram todo o tempo da feira sendo visitados, o que exigiu dos expositores todo seu conhecimento acerca do seu trabalho. Desde sugestões sobre patentear o projeto, informações sobre trabalhos semelhantes ou contextos locais relacionados, o público contribuiu com as equipes e instigou os expositores a adaptarem as apresentações selecionadas nas feiras brasileiras – FEBRAT, Ciência Jovem e UFMG Jovem- ao público internacional falante de espanhol e com bagagem cultural distinta.

Em meio a isso, foi apresentada uma palestra sobre revolução industrial 4.0, que ensinou os ouvintes sobre as novas dinâmicas empresariais e perspectivas da indústria tecnológica e fez todos pararem para assistir. Depois de mais um tempo de exposição de projetos, os presentes foram agraciados com apresentações de nove professores, esses orientadores de projetos ali expostos, acerca de um dos dois temas previamente abordados: Inteligência artificial ou Revolução Industrial 4.0.

Quase sem tempo, os brasileiros se revezaram para visitar os demais estandes visando prestigiar os outros trabalhos apresentados e aprender sobre as pesquisas e projetos selecionados em feiras de outros oito países latino-americanos. Dessa forma, enriquecendo ainda mais os aprendizados deles com a participação nessa feira equatoriana.

Recompensados pelos esforços na feira, assistimos ao encerramento oficial do evento com falas de representantes da Cooperativa de Ahorro y Crédito Câmara de Comercio de Ambato, dentre outros, e o anúncio dos projetos vencedores na categoria nacional e internacional. Foram eles as unidades educativas Salgado Ruíz, Los Andes e Santo Domingo de Guzmán, na categoria nacional; e na categoria internacional foram a república do México, a Costa Rica e a Colombia, com os projetos “intervención de Huertos Biointensivos Familiares”, “Eco- UOK” e “Diseño y Contrucción de un carro para personas paraplégicas”, respectivamente. Uma grande notícia foi essa cooperativa ter se comprometido a doar 10.000 dólares ao projeto primeiro colocado para que participem de outras feiras científicas.

Encerrando com chave de ouro o evento, foram realizadas apresentações culturais por parte das delegações e a brasileira não podia deixar de compartilhar sua animação e alegria dançando Frevo e quadrilha junina, com uma breve explicação em espanhol sobre ambas as manifestações culturais.

Muito satisfeitos com a viagem, os membros da delegação brasileira deram seus depoimentos que estarão disponíveis no canal do Youtube da rede POC em breve. A viagem também contou com City Tours por Ambato e por Quito. Visitamos a vila de Baños e a famosa cachoeira conhecida como Pailon del diablo em Ambato e visitamos o vulcão pechincha – a mais de 4.000 metros de altitude – e a “Mitad Del Mundo”- por onde passa a linha imaginária do Equador e é possível receber um carimbo especial no passaporte – em Quito, passando por centros comerciais para garantir algumas lembrancinhas pros amigos e familiares. Não podemos deixar de destacar o karaokê improvisado do ônibus e suas apresentações musicais que foram, nas palavras do Dr. Vargas, “muito felizes”. Por não poder dizer muito profissionais…

“Lembre-se de todos os momentos vividos, eles compõem quem você é”

– Fernanda Luisa Gomes

“Apenas dê o primeiro passo”

– Gabriel Keven de Souza

“ Gratidão, pois meu esforço foi recompensado”

– Lavínia Moreira


Texto: Rodrigo Cortines – Assistente de coordenação da Rede POC

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