
Depois de 2 semanas chegou ao fim a 52a. edição do LIYSF – London International Youth Science Forum, o Fórum Internacional Científico Juvenil de Londres. Mais de 40 países participaram desta edição que teve como tema principal “A Ciência dos Mares”. Em um intenso programa de atividades, os estudantes foram expostos a um mundo novo de conhecimento e palestras. Descobrindo muitas coisas novas. Algumas curiosidades foram:
O poder letal da água como veneno
O uso de utensílios de cozinha em autópsias
O uso de bolhas de sabão na construção de estradas
A constatação de água em forma líquida na superfície de corpos do sistema solar
Desenvolvimento de novas tecnologias para pesquisas oceanográficas.

Dr. Steve Myers
A palestra de encerramento contou com a presença do Prof. Steve Myers diretor do CERN. A palestra foi muito esclarecedora porque abordou o aspecto mito ou fato sobre o LHC (Large Hadron Collider) e todo o mistério envolvido em suas complexidades. Porém o Dr. Steve Myers ressaltou que não se importa com a repercussão “negativa” que filmes como Anjos ou Demônios dão ao acelerador.
“Isso acaba despertando ainda mais o interesse dos jovens por Física, então creio que é uma coisa positiva” disse.
Steve Myers também aposta no caráter de formação do LIYSF: ” Espero encontrar muito dos jovens aqui presentes, no CERN no futuro, trabalhando em inúmeras áreas. Precisamos de Jovens para resolver os problemas, que nós velhos cientistas não mais conseguimos.”

LHC - Localizado entre a França e a Suiça
Um dos aspectos focados com mais detalhes foi a falha que aconteceu no LHC 9 dias após a sua inauguração. Apesar dos problemas a equipe focada conseguiu reverter a situação e o acelerador voltou a funcionar quase 1 ano depois.
É fundamental a cautela quando tratamos de um projeto de bilhões de euro. O planejamento é fundamental, haja vista que o LHC só irá funcionar com capacidade total em meados de 2018. Mesmo com o LHC não utilizando toda a as capacidade, já há um projeto de upgrade. O SLHC que visa aumentar a capacidade de geração de luminosidade, gerando mais colisões e consequentemente mais dados.
A prova ou não da existência do Bóson de Higgs não é o objetivo principal do LHC, como muitos pensam. Há inúmeras aplicações tecnológicas para a análise dos dados obtidos. Myers citou por exemplo, que a teoria da relatividade de Einstein hoje é aplicada em dispositivos como o GPS. Pois se a variação do tempo não fosse aplicada haveria uma defasagem de 25 metros, a cada 1 km percorrido.
O mesmo pode se dizer da teoria do eletromagnetismo de Maxwell que possibilitou o advento dos celulares hoje.
Uma das pesquisas que está sendo realizada no CERN por exemplo, com o auxílio do LHC, é o tratamento do câncer através da hadronterapia. A efetividade da terapia é muito maior que a radioterapia tradicional . O índice de cura chegou a 98% nos casos de uveal melanona e 95% no caso de leucemia.
Após o encerramento da palestra, teve início a cerimônia de encerramento, onde o diretor do Fórum, Richard Myhill, proferiu um discurso onde exaltou a a importância da linguagem.
“Aprendemos com a convivência de inúmeras nações no LIYSF as diferenças entre uma mesma língua. Vemos que os estudantes do México tem um sotaque e uma língua diferente dos estudantes da Espanha. O mesmo podemos dizer dos estudantes do Brasil e Portugal. Mesmo com o inglês, Inglaterra, Estados Unidos, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, todos tem diferentes maneiras de se comunicar. O mesmo podemos dizer dos participantes desse Fórum. Palavras como, Beit, Southside, Queenslawn, Packed lunch, South Kensington tem um significado especial para nós e talvez tenham para o resto de nossas vidas”
Importância do Fórum para formar novos cientistas
O interessante nas palavras do diretor do Fórum foi que pudemos constatar como o Fórum é considerado um ponto decisivo nas carreiras de inúmeros cientistas. Muitos palestrantes do Fórum foram ex-participantes e todos dizem que o Fórum foi de fundamental importância na definição de suas carreiras.
É esse o principal objetivo da Rede POC – proporcionar a estudantes brasileiros a mesma experiência que a maioria dos países desenvolvidos tem há mais de 52 anos, esperando um dia poder encontrar entre os palestrantes do Fórum, palestrantes brasileiros, que participaram um dia do LIYSF.